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11 apoiantes de Mariano Nhongo aderem ao processo DDR

Muxúngue, posto administrativo de Chibabava, que foi um dos principais epicentros do último conflito armado, entre os anos 2012 e 2016, acolhe desde esta quinta-feira mais uma fase do processo de Desmilitarização, Desmobilização e Reintegração dos antigos guerrilheiros da Renamo, um processo que iniciou em Julho do ano passado, em Satungira.

Os primeiros 40 guerrilheiros, dos 251 que passarão a vida civil em Muxúngue, chegaram ao campo preparado para a cerimónia, ido da base de Mangomonhe, cerca das nove horas.

No primeiro contacto com o Grupo de Monitoria e Verificação, composto por altas patentes das Forças de Defesa e Segurança e da Renamo, os guerrilheiros foram sensibilizados em torno das medidas de prevenção da COVID-19.

De seguida, um a um foram encaminhados para o interior do campo referido, passando antes pelo processo de lavagem das mãos e rastreio. Foram colocados na sala de espera, onde receberam instruções da Comissão dos assuntos militares sobre todo o processo de DDR, um processo que compreende duas fases distintas. A primeira é o registo dos combatentes.

“Tal como a emissão de Bilhetes de Identidade para os que não possuem ou para os que perderam. Temos aqui uma equipa da Direcção de identificação Civil que vão emitir os Bilhetes. Temos igualmente uma equipa do registo e notariado para atender aqueles que perderam toda a sua documentação um processo que passará pela emissão de cédulas pessoais. Serão emitidos NUITS e cada combatente será registado num banco e terá um telefone com o seu respectivo número de telefone. Esta fase culminará com a abertura de contas bancárias, através das quais os combatentes irão se beneficiar dos subsídios a que têm direito”, explicou Sansão Sigauque, do grupo de DDR.

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Concluído este processo, que deverá durar uma semana, os guerrilheiros regressam às suas bases e ficam a aguardar pela  segunda fase, que passa pela entrega das armas e passagem a vida civil, já com toda a documentação pronta.

“Os passos subsequentes são de entrega dos kits e todos os pacotes de reintegração social, consoante a escolha de cada um, olhando para o que foi preconizado e acompanhamento dos combatentes as suas zonas de origem ou indicadas por eles”.

Jone Joaquim, Guerrilheiro da Renamo desde 1980 que ostenta a patente de coronel, pai de 12 filhos e com duas esposas, está feliz com o DDR, pois desde 2012, altura do reinício do conflito armado, não avistava com a família.

“Estou realmente muito feliz porque não tinha contacto com a minha família há cerca de oito anos. Tinha perdido até a esperança de um dia voltar a ter o carinho dos meus filhos e das minhas esposas. Estou muito feliz. Na vida civil vou dar continuidade a minha profissão. Sou pedreiro e com o apoio que vou receber neste processo irei dedicar-me em erguer obras ajudando o nosso pais a erguer-se”.

Refira-se que este processo iniciou em finais de Julho do ano passado em Satungira com a passagem a vida civil de 50 guerrilheiros da Renamo. O DDR, que conta com o apoio de vários parceiros internacionais, ficou interrompido quase um ano devido a dificuldades financeiras e o mesmo  foi retomado no dia 5 do mês passado em Savane, na presença do Chefe do Estado, Filipe Nyusi e do líder da Renamo, Ossufo Momade. Serão desmobilizados em todo o país 5221 antigos guerrilheiros da Renano.

11 apoiantes de Mariano Nhongo aderiram ao DDR

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Neste processo destaque para a passagem a vida civil de três guerrilheiros da Renamo, que até bem pouco tempo apoiavam a Junta Militar da Renamo. Os três juntam-se aos seus antigos companheiros de armas na base de Mangomonhe e esta quinta-feira foram até ao campo de Muxúngue para serem desmobilizados. Por alegadas razões de segurança dos mesmos, a liderança da Renamo não permitiu que entrassem em contacto com a imprensa.

“Na nossa base de Mangomonhe recebemos 11 combatentes que tinha desertado para a Junta Militar da Renamo. Aqui aparecerem apenas três mas nos próximos dias os outros chegarão a este campo. Para nós este é um bom sinal e sob orientação do nosso presidente e num espírito de reconciliação nacional e de perdão achamos que todos devem se beneficiar deste processo, para que todos juntos trabalhemos para este país em paz. A Renamo jamais irá abandonar os seus guerrilheiros e vamos lutar para que o processo de DDR decorra tal como está preconizado”, garantiu André Magibire, Secretário-Geral da Renamo.

O Governo, através do General Eugénio Mussa, garantiu igualmente que   o  processo de Desmilitarização, Desmobilização e Reintegração será efectivo e que ninguém será descriminado. 

“Queremos que todos combatentes da Renamo aceitem este processo que na verdade é deles, pois estão a sair de uma vida militar para civil. Se eles não mentalizar esta realidade então terão dificuldades para viver a vida civil. Mas como estão aqui é prova inequívoca que encaram o DDR com muita responsabilidade e que serão os pioneiros no processo da sua reintegração. Estão a regressar para as suas casas. Eles são moçambicanos e este país é de todos moçambicanos. Não tenham receios, pois os governos provinciais, as localidades e os bairros para onde irão se fixar estão prontos a vos receber, tal como aconteceu com os primeiros desmobilizados em Satungira e depois os de Savane”, exemplificou Eugénio Mussa.

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